Acho que todos já tiveram momentos em que a única companhia disponível é o frio aquecedor de um corpo. Digo, copo.
Quando as sombras da noite se tornam fantasmas do passado tentando enrar pelas fissuras da mente. Que abrem lentamente um a um, com o sentimento familiar de carne rasgando, e o cheiro tradicional de feridas apodrecidas.
Essas feridas poderiam ser perfeitamente minha alma, que em nada difere da podridão.
Todos já podem ter passado por isso, mas essa noite, ela foi completamente minha.
Nunca souberam o que é não conseguir retribuir. Não conseguir sentir nada.
Tenho mais sentimentos pelas minhas garrafas de whisky do que pela maioria das pessoas que conheço.
Ou saí.
Agora sei o que é querer ser a garrafa.
Oh, oooh, como eu queria ser aquela garrafa.
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