segunda-feira, 11 de junho de 2012

...

-Não dá, não conseguiria ficar com alguém assim.
-Por quê?
-Não gosto do que vejo nos olhos dela. Não se pode confiar em alguém com essa capacidade...
-E o que você vê?
-Alguém que parece gostar de mim...

sábado, 2 de junho de 2012

Sou um escritor e é meu trabalho agradar
Saber mentir as palavras que você quer ouvir
Ou derramar as poesias que re envolvem no meu chamar

Sou Um escritor, é natural para mim
Transcrever em tua pele meus desejos
Ou escrever em teu pescoço meus anseios
Tenho como caneta minhas unhas, lábios e dentes
Como escritor, um ator demente
É bom que eu seja competente
Para fazer surgir em tua mente
Os murmúrios jeitosos do desejo.

Ciumes

Demorou, mas me encontraste
E agora sei com o que parece
Parece com o suave calor de um isqueiro
Com o leve arranhão de um arame
Com as cócegas delicadas de facas
Parece com uma doce parada cardíaca
Que me leva a pensar
Que em vez de ciúmes
Eu deveria ter um revolver.

Vamospornográfico?

Em curvas vistosas de um plano?
Podemos talvez assim desenhar o oceano
Brincando com as entradas de um V bem aberto
Vamos falar. então, brincar de línguas?
Me apresenta a tua que te apresento a minha
Depois fazemos o inverso, transformando o 6 em um 9 se te agradar o pragmatismo numérico.
Se te agradar podemos continuar com a matemática
Como um meio
Te entrego um quarto
Subtraindo as roupas
Dividindo as pernas
Resultando em Ahh...
Ás vezes penso que feliz àquele que vai sem deixar saudades. Não quero jamais que alguém chore pela minha ausência, não vale a pena derramar lágrimas por um espaço vazio.
Se for para chorar por mim, que chore de amor, de raiva ou de dor...
Mas o que prefiro é o choro das virgens que colho no jardim....
Por nunca ter aprendido a dizer adeus que por vezes ainda recaio nos lábios teus - por juros, por juras, perjuro me torno de uma promessa negativa de afastamentos dos teus braços.
Que culpa tenho eu, se nunca choro em despedidas, por nunca ter sentido a dor da partida de alguém que tive em um abraço?
Nunca fui dado à adeus, pois sei que nem a mais longa pré partida vai apagar as pegadas que me fazem seguir até ti novamente.
Era só mais uma senhora sentada à janela do ônibus, de cabelos tingidos de louro bem curtos, face firmemente pressionada no vidro, com olhos apertados, boca crispada e mãos que não lhe escondiam a idade. Nunca escondem.
Suas ondulações bocais demonstravam o abandono de seus semelhantes, o descaso, o desespero, o amos a vida. São poucas as pessoas que conseguem realmente viver, ao invés de passar pelo mundo sem marcas, nem dadas, nem recebidas, são poucas as que não tem uma vida perdida.
É triste o fim daqueles que nos deixam sem delimitar seu ponto de chegada ou de partida.
Tenho pena daqueles que vivem com medo da morte, para morrer sem o gosto da vida.