sábado, 2 de junho de 2012

Era só mais uma senhora sentada à janela do ônibus, de cabelos tingidos de louro bem curtos, face firmemente pressionada no vidro, com olhos apertados, boca crispada e mãos que não lhe escondiam a idade. Nunca escondem.
Suas ondulações bocais demonstravam o abandono de seus semelhantes, o descaso, o desespero, o amos a vida. São poucas as pessoas que conseguem realmente viver, ao invés de passar pelo mundo sem marcas, nem dadas, nem recebidas, são poucas as que não tem uma vida perdida.
É triste o fim daqueles que nos deixam sem delimitar seu ponto de chegada ou de partida.
Tenho pena daqueles que vivem com medo da morte, para morrer sem o gosto da vida.

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