Abro a porta, e te vejo parada, linda, de shortinho, camiseta com um ombro caído, daquele desleixo mesmo, do tipo que te obriga a olhar duas vezes procurando ver se aparece alguma coisa.
-Oi, tudo bem?
Uma voz angelical, o sorriso de lábio entreaberto...
-Tudo, só bebi um pouco demais.
E eu aqui, vim reto do bar para o banheiro, e do banheiro pra atender a porta, nem lembro se joguei pasta na boca, espero que sim. To com cheiro de "homem", um jeito delicado de falar que suei feito um porco. O que diabos ela ta vendo em mim agora?
-Posso cuidar de você então?
Aí é jogar baixo. Nem preciso me mexer, ela passa pela porta aberta.
Fecho e me encosto um pouco, o perfume dela ainda paira um pouco no ar. Não preciso pensar muito pra saber o que vai acontecer agora. Mas ainda faço uma última tentativa.
-Quer alguma coisa? Sei lá, suco, chá, cerveja, danoninho?
Cerveja, as 10 da manhã, brilhante, só não foi melhor que o danoninho. Tenho que aprender que não é porque tem na geladeira que é legal ser oferecido. Pego a coleção de bonecos de ação pra mostrar agora ou depois?
-Não, eu quero outra coisa...
Pronto, desisto, mais uma pra me chamar de cafajeste amanhã.
Mas antes, preciso ter uma conversa com o meu estômago no banheiro de novo.
segunda-feira, 3 de março de 2014
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