terça-feira, 17 de setembro de 2013

Postagem 2.0

Sempre que me vejo em algum lugar que já estive, largado a sorte para refazer o caminho, sinto um desespero eminente que toma conta, não tão aos poucos quanto eu gostaria, dou passos hesitantes, lembro dos prédios, das árvores, mas não os reconheço.
Tenho dúvidas se é minha memória que teima em falhar e sempre deixa escapar nuances, ou se a paisagem teima em mudar rápido demais. Mudam traços, tintas, pessoas, cheiros....
Onde ontem tinha cheiro de flores, hoje sobe o odor pesado da putrefação das folhas e algo mais. As árvores se desfazem, as pegadas, a tinta, eu me desfaço nesse segundo enquanto escrevo! Agora que notei, parece mesmo que conforme a tinta passa para o papel minha mão perde a cor, ganha novas manchas, já não sei se estou mais perto da vida ou da morte. Que seja então, que eu me desfaça lentamente, parte por parte, cada gota do meu juízo com toda a cor dos meus cabelos, desde que me reste, gotas, quando a cor do último fio se for.

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