Eu o encarei durante uns bons dez minutos, e só então o reconheci. Era o amigo com o qual tinha marcado um encontro. Olhava, encarava e rotulava. Mas era um rosto. era.só.um.rosto. Tosco, levemente usado e com reentrancias, algumas falhas superficiais, mas nada que desvalorizasse a mercadoria.
Todos dizem que rostos fazem as pessoas, mas a verdade é que as pessoas fazem os rostos. Modificam, raspam, rebocam, pintam, vejo gente passando mais cimento no rosto que em muitas paredes - na minha por exemplo - As coisas podem cair, bochecha, nuca!
Mas bem, voltando ao meu amigo, quase que não o reconheci.
Fico imaginando para que tantas pessoas utilizam rostos.
Não reconheço caras ma cortadas, conheço pensamentos.
Levantei, me retirei do recinto, indignado por ter um amigo superficial ao ponto de depender da aparência para ser reconhecido.
quinta-feira, 29 de agosto de 2013
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