sexta-feira, 26 de março de 2010

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Aspirando o ar da noite e sentindo-o passar pelo caminho em direção ao meu pulmão, que já não precisa de ar.
Visando de volta a vida que perdi, ou ao menos tentando esquecer agora morar abaixo da terra.
Querendo desesperadamente ver o sol ir em direção ao céu todas as manhãs, chamando a humanidade para que levantem, e informar que há um novo dia. E que pode ser o escolhido para você pagar pelos seus pecados, preferindo nunca ter nascido a um dia ter sentido a felicidade, mais cruel dos sentimentos, ao qual todos os Homo Sapiens sempre desejam, que vem e vai sem dar explicações ou dizer Adeus, assim como a vida.
Não me lembro de ter recebido um aviso prévio de que iria morrer, pois se assim o fosse teria me apressado em fazer tudo o que sempre evitei por causa do carrasco arrependimento, ou quem sabe nem aqui estaria...
Quem sabe se assim tivesse feito estaria eu aqui fazendo companhia aos vermes que comem minha carne, desprezando meus ossos agoras inúteis, meus cabelos e minhas unhas que ainda crescem? Ah, quisera eu, presente ingrato, estar a conhecer o inferno ou paraíso do que passar por isso, pelo estado humano a que todos temem mais que tudo, mais que a verduga Morte, a Solidão. E na solidão de um caixão é a morte de um cataléptico.

"Do pó ao pó"

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